Terminou em PIZZA! Vereadores aprovam contas do ex-prefeito Antônio Marcos, ignorando parecer técnico do TCE

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Mamma mia! Vereadores deram uma "mãozinha" e Antônio Marcos escapou da condenação pelo TCE.

A Câmara de Vereadores de Casimiro de Abreu foi palco, nesta quarta-feira (11), de um dos episódios mais lamentáveis da história recente do município. Seis edis da casa (Bitó, Ramon, Dr. Adriano, Lelei, Neném e Marquinho) votaram a favor da aprovação das contas do ano de 2016 do ex-prefeito Antônio Marcos que, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), acumulou duas irregularidades, 15 impropriedades, 17 determinações e ainda deixou um déficit de mais de R$18 milhões.

O parecer técnico do TCE não deixava muitas dúvidas quanto à decisão de reprovar as contas de Antônio. Sabendo que poderia acumular mais uma inelegibilidade, o antigo mandatário arquitetou uma estratégia minuciosa com o intuito de convencer vereadores a votar a seu favor no fatídico dia 11 de abril.

Enquanto isso, uma narrativa “alternativa” à verdade foi criada por blogs alinhados a Antônio: empresários locais estariam oferecendo dinheiro aos parlamentares para reprovarem suas contas de 2016. A “fake news” passou a ser veiculada em algumas páginas no Facebook, mas os tais empresários nunca apareceram e a única “prova” dessa estória é um print de uma conversa no Whatsapp do próprio Antônio.

Show de horrores: justificativas vergonhosas marcam dia da votação

Muito constrangidos na hora de se pronunciarem, os seis vereadores que votaram pela aprovação das contas de AM se utilizaram de todo o tipo de desculpa estapafúrdia para justificar o injustificável. A defesa mais contundente veio do vereador Ramon Gidalte, que se tornou uma espécie de porta-voz oficial do antigo prefeito durante a sessão.

Sobrou para todo lado: primeiro, Gidalte afirmou que julgamento de contas não era um processo estritamente técnico, mas também político. Bitó ratificou as palavras do companheiro, deixando claro que faria de tudo para salvar aquele “que fez muito pelo distrito de Professor Souza”.

Sabendo que seria difícil brigar contra os números, Gidalte apelou para o conhecido argumento ad hominem: em vez de criticar a mensagem, passou a atacar as pessoas que a proferiram. Colocou em xeque a credibilidade do TCE, relembrando casos em que conselheiros foram presos recentemente. O que Ramon esqueceu de mencionar é que, em função dessas prisões, os membros do Tribunal de Contas passaram a ser 100% técnicos, servidores de carreira, sem margem para politicagem. Segundo uma fonte ouvida pela Folha, além de querer proteger AM, Ramon também quis se vingar do TCE, já que, quando foi prefeito, recebeu condenação do tribunal.

Mais comedidos, os vereadores Dr. Adriano, Lelei da Marmoraria, Neném da Barbearia e Marquinho da Vaca Mecânica não acrescentaram nada muito relevante durante suas explanações. O estrago e o constrangimento já estavam feitos.

Pode parecer brincadeira ou deboche, mas não é: nas redes sociais, Antônio agradeceu aos edis pelo voto favorável e jogou a culpa pelo rombo nas contas públicas na crise. Vale lembrar que o ex-mandatário tomou posse com cerca de R$56 milhões em caixa e deixou a prefeitura com um prejuízo de mais de R$18 milhões.

Superfaturamento nas merendas escolares é descoberto no Dia da Vergonha

Se foi o destino ou pura coincidência, não dá para saber. O fato é: no dia em que os seis vereadores livraram a cara de AM, outra bomba caiu em seu colo, não dando tempo nem de uma discreta comemoração. Na terça-feira (10), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-prefeito ao bloqueio de cerca de R$700 mil em bens, em função de um antigo esquema de superfaturamento das merendas das escolas municipais de Casimiro de Abreu. O champagne teve que ser adiado.

O silêncio sepulcral de Antônio, vereadores e blogs parciais sobre a “máfia da merenda” segue desde ontem (11), quando a Folha teve acesso aos autos do processo no Tribunal de Justiça. Um triste capítulo final.

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