Intervenção Federal: delegado da Polícia Civil não descarta migração de criminosos para Casimiro, mas destaca “ação conjunta” para combater a violência no município

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Delegado e assessor jurídico da Polícia Civil do Rio, Sandro Caldeira acredita que a intervenção será benéfica para a população fluminense (Foto: Facebook Sandro Caldeira).

A intervenção federal tem sido o assunto mais em voga no estado do Rio de Janeiro nas últimas semanas. A decisão de passar a responsabilidade da segurança pública para os militares temporariamente, visando dar um basta na desenfreada onda de violência que tanto prejudica os cariocas, despertou a atenção e o interesse de todos.

A Folha de Casimiro, diante desse episódio tão importante para os rumos do país, optou por sair dos limites do município de Casimiro de Abreu, indo atrás de especialistas com vasta experiência na área da segurança. Na tarde desta terça-feira (06), Entrevistamos Sandro Caldeira, delegado e assessor jurídico da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Confira:

Folha de Casimiro – Muitos moradores de Casimiro de Abreu temem que a intervenção federal provoque uma fuga de criminosos da capital para municípios menores do interior do estado. Esse tipo de temor tem consistência? Se sim, o que pode ser feito, tanto pelo poder público quanto pelos cidadãos, para atenuar as consequências desse fluxo?

Sandro Caldeira – As ações de segurança pública decorrentes da intervenção buscam, em um primeiro momento, o sufocamento do crime nas comunidades cariocas. O intuito é reduzir ao máximo as ações decorrentes das organizações criminosas advindas do tráfico ilícito de drogas, armas e outros. Esse tipo de atuação pode, sim, gerar a migração dos agentes que não forem presos para outros municípios ou estados circunvizinhos, cabendo ao estado, através de uma ação conjunta e organizada das forças de segurança pública, realizar um mapeamento para impedir esse realocamento fragilizado da criminalidade com o apoio da população.

Folha de Casimiro – Diariamente, podemos ver muitas apreensões de drogas feitas nas cidades do interior, especialmente na Região dos Lagos. São municípios “de passagem”, como são chamados. A intervenção pode alterar essa dinâmica de transporte de drogas nesses locais?

Sandro Caldeira – Pode sim. Toda a atuação criminosa está em atenção diante da intervenção, haja vista que as ações de segurança estão sendo alteradas com o intuito de gerar maior fiscalização em diversas áreas, acarretando maiores apreensões e, consequentemente, redução do lucro da criminalidade.

Folha de Casimiro – Antes do Exército assumir, muitos policiais militares foram deslocados dos municípios do interior para a capital, numa estratégia de fortalecimento de segurança da cidade do Rio de Janeiro. Essa é uma atitude acertada? Moradores reclamaram que a situação do interior piorou e que não resolveu nada na capital.

Sandro Caldeira – Precisamos de mais policiais, de mais concursos públicos para atender a demanda de um estado do porte do Rio de Janeiro. O realocamento de policiais para outra região fortalece a segurança nessa localidade para onde os agentes foram remanejados, mas prejudica locais que tiveram seu contingente de policiamento reduzido. Com a intervenção, teremos um aumento de pessoal decorrente das forças armadas durante o período em que essa situação de excepcionalidade permanecer,  o que acarretará, em tese, o retorno desses policias para sua origem, com um aumento do policiamento.

Folha de Casimiro – Qual a sua percepção da intervenção federal no Rio? A policia civil viu com bons olhos?

Sandro Caldeira – A intervenção Federal foi necessária para que pudéssemos  frear o avanço da criminalidade com a entrada de recursos federais para a segurança no Rio de Janeiro. Uma atuação conjunta e ordenada das forças de segurança trará benefícios mensuráveis ao estado, na busca da segurança que os cidadãos merecem.

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