Ramon rasga elogios a deputado preso: “É meu amigo pessoal”

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Paulo Melo (à direita) é amigo pessoal do vereador Ramon Gidalte (Foto: Guito Moreto / Agência O Globo)

Na sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (22), o vereador Ramon Gidalte dedicou boa parte de sua fala para explicar seu envolvimento com o deputado estadual Paulo Melo, preso pela Operação Cadeia Velha, da Polícia Federal, acusado de receber mais de R$50 milhões em propinas.

– Fico muito à vontade para falar sobre essa situação. Em 2011, fui nomeado assessor de Paulo Melo e não tenho constrangimento nenhum. Quem não sabe que eu trabalhei no gabinete dele? É meu amigo pessoal, tive o privilégio de frequentar a casa dele em Saquarema, a fazenda dele em Rio Bonito… Não tenho constrangimento! Meu envolvimento com ele é de amizade. Se ele fez alguma coisa errada, ele vai assumir. Se fez antes, na época em que eu estava lá, é cada um com sua responsabilidade. Fui assessor dele com muita honra. Os funcionários dele todos me conhecem pelo nome, a Andreia e o Fábio, que hoje estão presos, me cumprimentaram quando fui lá pela última vez. Conheço todos os servidores e eles me conhecem também. Não adianta vir aqui querer me constranger, não tenho rabo preso com ninguém, fui prefeito por 4 anos, e, às vezes, acontecem erros. Errar é humano – afirmou Ramon.

A explicação pessoal do vereador de oposição, segundo o próprio, teria sido motivada por um requerimento de portaria feito na Alerj pelo vereador Bruno Miranda, da base do governo. Bruno teria solicitado um documento do ano de 2011 em que constaria o nome de Ramon Gidalte como assessor de Paulo Melo.

Relembre

Quinto deputado estadual mais votado nas últimas eleições fluminenses, Paulo Melo foi apontado como um dos “cabeças” no esquema de pagamentos de propinas a agentes públicos pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). O parlamentar seria um dos articuladores da prática de aprovação de projetos favoráveis aos empresários que pagavam as vantagens indevidas, além de exercer pressão para aprovar as contas dos governadores, independente dos pareceres técnicos contrários emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Segundo a investigação do Ministério Público Federal, Paulo Melo, chamado de “Pinguim” na planilha de pagamentos, recebeu cerca de R$55 milhões em propina da Fetranspor. O pagamento era feito pelo doleiro Álvaro Novis. A Operação Cadeia Velha é um desdobramento da Operação Lava Jato.

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