Recorde de homicídios, corte de gastos e deslocamento de efetivo policial: como a crise da segurança pública no Brasil interfere no dia a dia de Casimiro de Abreu

0
128

No dia 30 de outubro deste ano, uma terça-feira, veio à tona um número assustador para o cidadão brasileiro: em 2016, 61.619 pessoas foram mortas no Brasil, um recorde na história do país, que registrou 7 óbitos por hora ao longo dos 365 dias analisados. Coincidência ou não, os gastos do governo federal na área de segurança pública foram reduzidos em mais de 10% de 2015 para 2016. Nos Estados, responsáveis pelo policiamento militar e civil, o enxugamento foi de 1,7%.

A carência de um bom plano de segurança pública começa no topo da pirâmide, numa escala macro, mas vai afetando todas as estruturas ao redor, gerando um clima de insegurança que atinge país, regiões, Estados e municípios, grandes ou pequenos. Casimiro de Abreu não está livre dessa onda de violência e não é difícil perceber os porquês.

O Estado do Rio de Janeiro é o décimo com mais mortes no Brasil, com 37.6 óbitos a cada 100 mil habitantes. Os fluminenses contam com uma taxa de um policial para cada 355 habitantes. No caso exclusivo da Polícia Militar do estado do Rio, a falta de manutenção só ajuda a explicar o caos da violência: mais da metade da frota de veículos da PMERJ está fora de circulação: De 6.756 carros, 3.458 estão parados.

Além disso, os policiais do Estado ainda sofrem com as incertezas sobre previdência, salários atrasados, alto risco de morte e precariedade no local de trabalho. O resultado? Cada vez mais, o efetivo policial diminui, seja por aposentadoria antecipada ou por falta de candidatos inscritos nos concursos.

A crise ininterrupta na capital gera um deslocamento do já escasso efetivo policial do interior para o centro. Dessa forma, algumas regiões do Estado acabam ficando mais desguarnecidas, o que gera um previsível aumento de violência. Cidades próximas a Casimiro, como Araruama e Cabo Frio, figuram entre as mais perigosas do Rio, ocupando a 3ª e 4ª colocações no ranking de homicídios do Estado.

Para além do medo, o prejuízo financeiro

Recentemente, um estudo da Confederação Nacional do Comércio mostrou que, apenas no ano de 2017, o turismo do Estado perdeu R$657 milhões em função da violência, um valor equivalente a cerca de 30% do faturamento do setor no período. Somando os déficits em serviços que são fundamentais para Casimiro de Abreu, como hotéis, agências de turismo, locadoras de carros, atividades culturais e de lazer, o prejuízo já chega próximo aos R$330 milhões.

Os números não mentem e, infelizmente, de acordo com especialistas em segurança pública, a violência deve aumentar ainda mais nos próximos anos. A desordem em Brasília, embora não pareça, pode ser sentida em cada canto de nosso município, que luta com as armas que pode para dar um basta nas mortes.

Fontes:
1 – http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-tem-recorde-de-assassinatos-com-171-mortes-por-dia,70002065887
2 – https://ndonline.com.br/florianopolis/coluna/paulo-alceu/mortes-levantadas-pelo-mapa-da-violencia-mostram-que-ha-uma-banalizacao-da-vida-no-brasil
3 – https://exame.abril.com.br/brasil/brasil-tem-deficit-de-20-mil-policiais-em-seu-efetivo/
4 – https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/em-um-ano-pm-do-rio-de-janeiro-perdeu-13-mil-homens.ghtml
5 – http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/08/1912108-em-meio-a-crise-rio-retira-30-do-efetivo-de-policiais-em-upps.shtml
6 – https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/araruama-e-a-3-cidade-mais-violenta-do-rj-diz-ranking-do-atlas-da-violencia.ghtml
7 – https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/violencia-causa-perda-de-r-657-milhoes-no-turismo-do-rj-afirma-estudo.ghtml

Comentários