A arte do mangá: em entrevista exclusiva, Léo D. Andrade explica a técnica do desenho japonês

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O desenhista, fotógrafo e também escritor Léo D. Andrade falou com exclusividade com à Folha de Casimiro sobre como é ensinar a técnica do desenho japonês Mangá. Inserido na programação cultural de Casimiro de Abreu, Léo diz que a técnica que ele ensina para quem quer aprender os traços do Mangá, não tem limites, ou seja, seus alunos vão dos oito aos oitenta.

– O Mangá não tem nem 100 anos, mas já traz uma história e uma marca nos traços de desenho em todo o mundo. Nos anos 40, o considerado rei do Mangá, o desenhista renomado Osamu Tezuka, que criou o Astro Boy, reformulando a linguagem dos quadrinhos. Passa, então, a ser uma arte de desenhar, de contar histórias e que existe desde a época das cavernas. A língua era falada através do desenho.

Léo conta que o Mangá no Japão é tão importante quanto o futebol aqui no Brasil e que realmente faz parte da economia e cultura dos japoneses.

– Eles leem e consomem muito, mesmo sendo um país tão pequeno.

Com relação a projetos, Léo diz que, para o ano que vem, muitas novidades irão surgir.

– Iremos realizar alguns projetos, continuar com “A lenda de Bóia” e outros que iremos criar e que está em mente. Para isso, irei contar com cerca dos meus 100 alunos e outros que irão chegar.

Para aprender a técnica do Mangá, independente da idade, é observada sempre a facilidade do aluno na hora de segurar o lápis. Diante disso, Léo diz que nas aulas que realiza, consegue observar crianças com oito anos de idade e que já tem uma tendência muito forte para o desenho.

– Sempre digo que desenho não é talento, é prática. Tem uns que tem mais facilidade e isso chamamos de aptidão.

Seus alunos vão se desenvolvendo conforme praticam nas aulas e para Léo, todos irão chegar em um mesmo estágio.

– É importante que todos cheguem no mesmo padrão, para isso iremos chegar até a aula de número 20 e daí em diante iremos comparar os desenhos com os que fizeram lá no começo. Para quem tiver alguma dificuldade, iremos trabalhar nesse aluno para que se enquadre aos demais.

Léo destaca que o desenho do Mangá é simples e que no Japão existe uma cultura que eles entendem que os olhos são as janelas da alma, por isso são grandes.

– O legal do Mangá é que hoje existe a globalização da internet e, quem vai produzindo os desenhos, vai postando nas redes sociais, onde acontece as curtidas e os compartilhamentos, então pode surgir um desenho que vire sucesso nacional.

A Lenda de Bóia, segundo Léo, veio difundir a cultura de Casimiro de Abreu e também o folclore do país. Para ele, tudo tem um tema, um apelo para que se possa contar uma história.

– Fiz uma releitura para levar o interesse do desenho a todos que quiserem aprender sua técnica. Temos dois quadrinhos lançados e por causa disso, participamos de diversas feiras e eventos específicos, principalmente em São Paulo, onde acontece em maior quantidade. Eles já concorreram com personagens famosos como Mônica, Super Homem e Batman e a ideia é que seja lançado nacionalmente. Sempre digo: não existe desenho feio, existe estilos diferentes. Repito, desenho não é talento, é prática e não estamos limitados a nada.

História

Ambientada na Casimiro de Abreu do século XVII, as aventuras de Bóia se passam na 27ª Era dos Mortais e estamos no meio do atual Chronos.

Bóia é um pequeno índio que vive na cidade sagrada, lar dos religiosos e pacíficos Saruçus, uma das mais importantes tribos da floresta mãe. Filho de Arari, o grande guardião que é amado por todos e temido até pelos deuses, e de Ita, uma linda e gentil dama de cerimônia dos templos gêmeos de Fauna e Flora, que fica situado no centro da cidade.

Por ser um menino antissocial, possui apenas dois amigos, Kugo, um mico-leão que sempre apronta e mete todos em confusão e Kale, a sua prometida. “Bom, eu tento fazer o papel de irmã mais velha e por conta disso, vivo brigando com ele, mas no final estamos sempre juntos”, disse Kale.

No dia da cerimônia do plantio a cidade foi atacada e todos foram amaldiçoados, restando apenas Bóia e Kugo, agora o pequeno e último Saruçus deverá quebrar a maldição e libertar sua família e o seu povo, para isso ele inicia uma longa jornada, onde encontrará novos amigos, aliados, alguns adversários e muitos inimigos.

Uma jornada que fará dele uma lenda.

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