“A Fundação Cultural ficou oito anos em um modelo educacional. Precisamos de mais agitadores culturais”, afirma Wanderson Chan

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Com uma vasta e reconhecida experiência na área, Wanderson Chan assumiu a presidência da Fundação Cultural de Casimiro de Abreu com o objetivo de dar uma nova direção à pasta. Em entrevista exclusiva à Folha, o cineasta falou sobre seus primeiros seis meses à frente da instituição e o que planeja fazer para resgatar a cultura na vida das pessoas e do município.

Folha de Casimiro: Presidente, qual o seu balanço da área da cultura nos últimos seis meses? Como você avalia a gestão da Prefeitura, em relação à pasta, até aqui?

Chan: Na verdade, a gente consegue ver a mudança através das pessoas, que acabam me abordando nas ruas para falar da Fundação. Até mesmo através das mensagens que recebemos. Então, nesse primeiro semestre, acho que já conseguimos, de uma certa forma, colocar a Fundação Cultural novamente no mapa da cidade.

Folha de Casimiro: Algumas pessoas avaliam que Casimiro de Abreu é um município “rachado” politicamente. Como você acha que isso pode prejudicar o funcionamento da cidade?

Chan: Realmente, é muito complexo. A cidade é pequena, mas é dividida por setores e cada localidade tem uma cultura, um modo de viver diferente. Barra de São João é distrito e é um local completamente diferente de Casimiro de Abreu. Eu só acho difícil administrar a Fundação Cultural nessa divisão devido à falta de recurso, mas, mesmo sem dinheiro, estamos conseguindo introduzir a cultura em todos os distritos.

Folha de Casimiro: O “Arraiá da Cultura” foi um sucesso de público e recebeu diversos elogios. Como foi a organização do evento e no que ele agregou à cultura do município?

Chan: Assim que entrei para a presidência da Fundação Cultural, falei que queria resgatar tudo aquilo que acontecia aqui na cidade quando eu era criança. Então, trabalhamos para que o evento fosse impecável, justamente por causa desse sentimento nostálgico. Fiquei dois meses batalhando, junto com a minha equipe e meus assessores, para que o Arraiá funcionasse como funcionou. Mais de sete anos que não acontecia um evento como esse. Tudo correu bem, mesmo com poucos recursos, graças ao trabalho de colaboradores e de outras secretarias, que entenderam que era importante que a festa acontecesse.

Folha de Casimiro: O vídeo “Brincadeira de Rua” teve uma grande repercussão em todo o Brasil. Pensa em repetir a dose ou apostar em um modelo parecido para alguma ação no atual governo?

Chan: Além do “Brincadeira de Rua”, minha cabeça está a mil e existem vários outros projetos. Acho que a fórmula para que eles tenham repercussão está na simplicidade. É fazer tudo com amor e resgatar aquilo que se perdeu. Tenho certeza que os próximos projetos irão ser todos na mesma ideia do “Brincadeira de Rua”. Temos a nosso favor a internet, que é um veículo que eu consigo dominar. Ela está nos ajudando muito em nossa gestão, e com isso, estamos conseguindo interagir também nas redes sociais. Em um mesmo post, recebemos elogios e também críticas, em sua maioria construtivas, fazendo com que a gente olhe de forma mais apurada para os anseios da população.

Folha de Casimiro: Como a Fundação Cultural tem feito para contemplar os eventos culturais de uma forma homogênea nos distritos?

Chan: Estamos apostando nas contratações. A Fundação Cultural ficou oito anos em um modelo educacional, ou seja, trouxeram um modelo da pasta de educação para dentro da instituição e eu estou mudando isso. Temos muito funcionários administrativos e poucos agitadores culturais. Diante desse quadro, comecei contratando professores de dança, específicos para as aulas, e também de música. Na verdade, esses profissionais são chamados através de concursos realizados. Estamos levando essas pessoas para essas localidades. Em Professor Souza, por exemplo, não existia nada de cultura e, hoje, já tem aula de hip hop. Já para agosto próximo, em Rio Dourado, que também ficou sem acesso a qualquer tipo de atividade cultural por anos, vamos implementar teatro, aulas de mangá e de música, além de hip hop, que já existe. O resgate está sendo feito nos próprios distritos. Estamos realizando as inscrições, que acontecem toda semana, através de um Censo Cultural.

Folha de Casimiro: Qual tem sido a maior dificuldade à frente da presidência da Fundação Cultural até agora?

Chan: São muitas as dificuldades, só que eu gosto de desafios, eu sou um cara que amo ser desafiado. A falta de recurso, é claro, é um grande problema, mas o maior deles é ter uma Fundação Cultural com uma grande quantidade de pessoas em setores administrativos. Estamos levando mais pessoas para as atividades culturais, por isso estou fazendo esse resgate. Na verdade, estou invertendo esse quadro, estou trazendo mais agitadores culturais para a Fundação. Como disse, estava sendo adotado um modelo educacional e cultura não é isso.

Folha de Casimiro: Quais são os projetos futuros que a Fundação pensa em implementar nos próximos meses?

Chan e sua equipe durante um dia de trabalho na Fundação Cultural

Chan: Nós temos vários projetos, tanto a curto, médio e longo prazo. A curto prazo, já estamos trazendo agora, em agosto, a sala de cinema, que será reinaugurada como Cine Teatro e que irá comportar cinema e teatro. Nesse espaço, teremos curso de cinema, onde também irei dar aulas, em parceria com o Projeto “Lona na Lua”, uma iniciativa da Secretaria de Assistência Social, que irá atender 200 crianças, de segunda a quinta-feira. Iremos também dar um espaço apropriado para a Escola de Música, que está provisoriamente funcionando aqui na sede. Já reabrimos a Escola de Dança e ela terá um prédio próprio. Teremos também o Centro de Memória, que será reaberto para pesquisas, além de aulas de coral e de bateria. Em três meses de gestão, conseguimos aumentar em 40% o número de alunos inscritos nesses projetos e que, agora, superam os 70% de adesão. Trouxemos também a dança de salão e temos um projeto para que a Feira da Estação funcione todo sábado. Essa feira dá oportunidade para os artesãos locais praticarem a Economia Criativa. Eu quero destacar que a Fundação Cultural irá realmente fazer jus à cidade que leva o nome de um poeta. Eu acredito que o nosso potencial é o turismo cultural e, para isso, estamos viajando muito. Com meus próprios recursos, estive em Caruaru e, no final de julho, iremos à Paraty, na Flip. Isso tudo para aprendermos sobre os modelos de cultura que dão certo em outros locais, visando um aprimoramento da área em Casimiro. Para finalizar, quero dar destaque à minha equipe que está disponível 24h comigo. São eles: meu assessor administrativo, Lucas Jorge; o assessor financeiro, Alessandro Farias, a assessora da presidência, Thuany Freitas e o produtor cultural, Ervan Bolsinha.

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