“Resolvemos ir atrás da questão do GVA e percebemos que, mesmo o professor não sendo assíduo, acabava recebendo”, afirma Secretária de Educação

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Nicia Araujo, Secretária de Educação de Casimiro de Abreu

Nicia Araujo, Secretária de Educação de Casimiro de Abreu, falou à Folha, em entrevista exclusiva, sobre os seis primeiros meses à frente do cargo. Dona de uma vasta experiência na área da educação, a professora acredita na capacitação e na valorização do professor em sala como os principais alicerces na evolução da educação do aluno.

Folha de Casimiro: Secretária, qual o balanço de sua gestão na Secretaria nesses primeiros seis meses? O que foi feito e quais os planos para o futuro?

Nicia Araújo: Esses seis primeiros meses foram muito difíceis, ainda mais por se tratar de uma nova gestão. Estamos começando, são muitas ideias e nos deparamos, em alguns momentos, com uma certa burocracia. Com isso, devemos ter cautela para fazer as coisas. A primeira providência foi montar a equipe. Sem pessoas juntas e competentes para trabalhar fica complicado, mas já conseguimos caminhar muito. A SEMED ainda não está completa, mas a escola precisa estar, porque é lá que as coisas acontecem e o nosso foco é o aluno, sempre. Foram seis meses de muito trabalho, de levantamento, de diagnóstico, desde a infraestrutura, passando pelo pedagógico, material, merenda e, aos poucos, estamos conseguindo dar uma cara à nova gestão. Há muita coisa ainda para ser feita. Para o segundo semestre, estamos satisfeitos por conta do reparo e manutenção que vamos conseguir fazer nas 24 escolas, já que pegamos uma rede que não tinha manutenção há praticamente dois anos. E, também para o segundo semestre, temos a proposta pedagógica que consiste em recuperar alguns alunos ainda não alfabetizados, que já estão em séries avançadas. Estamos priorizando esse atendimento porque entendemos que a educação é para todos.

Folha de Casimiro: Recentemente a história de uma criança analfabeta, que não conseguia escrever a palavra “palhaço”, ganhou grande repercussão em Casimiro. Qual a proporção desse tipo de situação na rede municipal? O que está sendo feito para alterar esse quadro?

Nicia Araújo: De fato, isso aconteceu. No momento em que fizemos a exposição dessa dificuldade, não foi nem para divulgar o que se passou e sim para termos esse caso como exemplo de algo que devemos solucionar como prioridade. Uma criança no terceiro ano de escolaridade não conseguir escrever a palavra “palhaço” é realmente preocupante. Em uma reunião de vereadores, foram apresentados alguns diagnósticos e fizemos a apresentação desse exemplo, entre outros. A partir desse diagnóstico, elaboramos um projeto que está saindo agora, o Projeto de Reforço Escolar. Serão cinco meses com professores selecionados, através de um contrato. Estamos confiantes de que trará bons resultados.

Folha de Casimiro: Qual a sua opinião sobre a aprovação automática?

Nicia Araújo: Minha opinião é bastante complexa porque, quando o ciclo foi implementado no município, em 1998, em uma escola experimental, a ideia era de que, no ano seguinte, o mesmo fosse adotado em todas as escolas. Em 2001, eu tive uma experiência na Secretaria de Educação e, então, percebemos que o modelo, daquela maneira, havia sido entendido e aplicado de forma equivocada, e que a gente precisaria fazer algo. Tínhamos que voltar um pouco atrás, deixaríamos três anos de ciclo sem a retenção. Fazendo um balanço, já se passou muito tempo e ainda permanece o mesmo sistema. Sabemos que ele precisa ser reavaliado. Não sei ainda se continuaremos com essa aprovação automática ou não, mas o que eu digo, desde quando eu entrei na secretaria, é que essa questão precisa ser revisada.

Folha de Casimiro: Uma medida que vem sendo bastante elogiada é a implantação de eleições diretas para diretoria de escolas. O que a secretária pensa sobre isso e como está se dando o processo?

Nicia Araújo: Esse processo, na verdade, já constava no antigo Plano Municipal de Educação e nós já encontramos ele pronto. Uma de nossas metas era a gestão democrática e, logo no começo, fomos muito pressionados, questionados se íamos ou não dar conta, além de muitas outras metas que ainda precisam ser realizadas em 2017. As escolas no município merecem passar por esse momento de gestão democrática, de escolha desse diretor diretamente na no local de estudo, pela comunidade escolar, por isso começamos com esse projeto de atender quem estava no plano e já demos início. No próximo dia 12, já receberemos as inscrições das chapas e temos uma equipe construtiva local, aqui da SEMED, que coordena toda essa parte nas escolas e temos, também, a comissão construtiva local. Tudo está sendo orientado e documentado, pois somos uma gestão democrática. Encontramos algumas omissões e estamos fazendo esses ajustes. Quando chegamos na rede, não havia remanejamento, então nós fizemos e, por ser uma gestão nova, teve alguns ajustes. Nosso objetivo é que mais pessoas possam participar. Ser professor, ter formação, esses são uns dos critérios.

Folha de Casimiro: A suspensão do GVA dos professores faltosos foi uma medida acertada? Se possível, explique os aspectos positivos da medida.

Nicia Araújo: A Gratificação por Valorização e Assiduidade (GVA), não foi suspensa. Na verdade, foi alterada a redação da gratificação. O que levaria uma pessoa a criar uma gratificação por assiduidade? Esse seria o primeiro ponto. Partimos de um princípio de que, se você trabalha, você tem que ser assíduo. Mas, se alguém pensou em uma gratificação por assiduidade é porque alguma coisa errada estava acontecendo e, a partir daí, fomos buscar nos históricos. De fato, percebemos que aconteciam algumas coisas que precisavam ser revisadas e começamos, na nossa gestão, a nos deparar com situações bastante complicadas e delicadas. O maior prejudicado estava sendo o aluno, porque estava sem o atendimento. Então, resolvemos ir atrás da questão do GVA e percebemos que, mesmo o professor não sendo assíduo, acabava recebendo. Achamos um tanto quanto incoerente e alteramos essa redação. Hoje, o professor não perde, mas deixa de ganhar se não for assíduo. É uma gratificação, você ganha se você cumprir. Vale lembrar que encabeçamos um projeto de reajuste salarial para o professor e isso é uma realidade aqui em Casimiro de Abreu. O percentual varia de acordo com cada categoria; temos professor A, B e C e o reajuste foi em torno de 7% a 19%. E também não temos pagamento atrasado.

Folha de Casimiro: Qual mensagem a secretária gostaria de deixar para os alunos, pais e responsáveis da rede municipal?

Nicia Araújo: Eu conto com a colaboração e a compreensão de todos, porque estamos passando por um momento difícil, não só a nível municipal, mas também nacional. As pessoas estão sempre muito inflamadas para resolver qualquer situação e eu peço que tenham paciência, pois estamos realizando um trabalho sério aqui. Quem vai ganhar mesmo é a educação. Devemos pensar no aluno.

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